sábado, 18 de junho de 2011

Enquanto o progresso não vem

Ah, o progresso... Aquele que deveria ser sinônimo de aperfeiçoamento da humanidade e de seu habitat natural, mas que acabou por variante de capitalismo.
O que vejo é um regresso, pessoas cada vez menos humanas que consomem a cada dia sua própria casa, e ,masoquistas, retiram aos poucos a própria vitalidade.
Acreditam em desenvolvimento sustentável, mas se excluem da equação.
A era, em que a tecnologia se renova a cada dia, pede pressa. Quem não corre, hoje, perde mais do que o trem.
A Terra grita por socorro, mas estão todos ocupados demais para ouvir...

terça-feira, 26 de abril de 2011

Maldita alienação!

Nasceu algemada. Quando criança, as algemas não muito apertadas não a impediam de brincar, era como qualquer outra da sua idade.
Com o passar dos anos, começou a sentir um certo incomodo: ela crescera, mas as algemas eram as mesmas de outrora.
Na juventude conheceu pessoas livres, mas não tardou para que a ensinassem que aqueles eram transgressores, que certo mesmo era viver por toda vida presa e morrer sem nunca indagar o porque do aprisionamento.
Brigou, quis cortar as mãos, se rebelou. E só o que que conseguiu foram olhares de reprovação.
Hoje, acostumada com as limitações que lhe foram impostas, aderiu ao sistema.
Mas quando a noite cai, chora sozinha. Será que existira mesmo essa tal felicidade?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Vilão-mocinho

Tinha medo daqueles olhos que não diziam nada, embora aparentassem ter muito a dizer. Queria ler-lhe, saber o que se passa por trás da mascara. Ser dona de sua libido e de tudo que lhe é carnal, para poder traduzir em palavras o que não pode ser dito. Saber de seus temores, de suas incertezas. Curar-lhe as feridas, uma a uma, mostrar-lhe o caminho. Substituir-lhe os complexos por segurança.
Só para lhe ver sorrir, ao menos uma vez. Para lhe ver gozar da vida.
Não lhe queria em meus braços por pura luxuria, tampouco de modo romântico. É que gosto de não saber ao certo se quer-me na cama ou no leito de morte.
Meu superego diz fuja, meu ID diz tente.
Lhe quero assim, vilão-mocinho.
Na cama, na mesa, no sofá. E depois, longe de minha vista, nos braços de alguém que lhe tenha amor.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Auto-definição

Sou as minhas escolhas, um pouco das pessoas que conheci, dos livros que li, das minhas crenças, do que admiro, dos meus sonhos e das minhas ideologias. Gosto da liberdade que a natureza nos proporciona, do verde, do arco-íris – e não menos da praticidade que o progresso criou. Sou as energias que circulam ao meu redor, as fases da lua, os dias do calendário. Montanhas e prédios, verde e cinza, o céu azul e as tempestades. Sou uma criança brincando de descobrir o mundo ao meu redor, um poeta á procura de si mesmo, um ser humano cheio de altos e baixos, alguém que sabe aprender com os próprios erros. Não deixo de subir com medo de cair, porque aprendi que às vezes é importante aprender a cair. Mais uma garota no mundo, tentando talvez, fazer a diferença.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Passos de uma garota.

Pensou certo dia que deveria se ama mais, cuidar mais de si.
Ao ver que os fatores da vida que trazem felicidade são efemeros, passou a procurar-la dentro de si. Achou.
Entendeu que o que mais lhe incomodava no mundo não passava do reflexo de falhas dentro de seu proprio sistema. Se reedificou.
Percebeu que se aprendesse com suas quedas, cair seria sinonimo de evolução.
Logo, passou a acreditar que felicidade poderia ser mais do que um estado.
Claro, ela sabe que sua jornada está apenas no começo e que haverão muitos altos e baixos pela frente. Mas caminha em direção ao desconhecido sorrindo, não com os lábios mas com os olhos.

A decepcionada

Ela descobrui a duras penas que sinceridade só é virtude de seu espelho. Tem medo do mundo lá fora, fechou as portas e as janelas do coração. Quiz se enfiar em um buraco e nunca mais sair, desaprendeu a confiar.
Hoje ela não conta seus segredos, não fecha os olhos totalmente. Conheceu os dragões da humanidade,não pisa mais em falso. Guardou os contos de fadas em um baú, separa ficção de realidade.
A doçura de outrora deu lugar a um tipo de amargura. Se esconde.